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Série II / Número 156 / Volume 44
Março 2020
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Achatar a curva (epidemiológica). Álcool gel. Bo- letim epidemiológico da Direção Geral de Saúde (DGS). Cadeia de contágio. Casos confirmados/ recuperados/suspeitos. Cerca sanitária. Confina- mento. Coronavírus. COVID-19. Cuidados intensivos. Desconfinamento. Dexametasona. Distanciamento social. Dois metros. Ensino à distância. Escolas fechadas. Espaços públicos. EPI (luvas, máscaras, viseiras,...). Epidemia. Estado de alerta/contingência/ calamidade/emergência. Etiqueta respiratória. Fase de contenção/mitigação/supressão. Fique em casa. Gotículas. Grupos de risco. Hidroxicloroquina. Higiene das mãos/superfícies. Imunidade comunitária/de grupo. Isolamento profilático (quarentena). Óbitos.

Organização Mundial de Saúde (OMS). Pandemia. Plano de contingência. Portador assintomático. Quartos de pressão negativa. Remdesivir. SARS-CoV-2. Sintomas (febre, tosse, dificuldade respiratória,...). Taxa (de letalidade, de transmissão, R0, Rt). Teletrabalho. Testes serológicos. Transmissão comunitária. Vacina. Ventilador. Vigilância ativa e passiva. Wuhan. Zaragatoa.


No passado dia 4 de junho o Jornal Angewandte Chemie publicou um artigo contendo, nas próprias palavras do editor da revista, “...linguagem ofensiva e difamatória dirigida a grupos de diferentes géneros, raças e nacio- nalidades...”. No seguimento do turbilhão de críticas que rapidamente inundaram as redes sociais, o jornal retraiu o artigo e emitiu um comunicado que pode ser lido na íntegra no seu site (onlinelibrary.wiley.com/ journal/15213773#statement). A decisão original dos editores, e dos revisores que a apadrinharam, de publicar o artigo, dando expressão aos alegados sentimentos xenófobos e racistas do professor Tomas Hudlicky, pode ser justificada com base no direito à liberdade de expressão. No entanto, neste caso, o artigo deveria ser precedido de uma caixa com uma explícita declaração de repúdio e manifesta incompatibilidade com a linha editorial da revista. Essa declaração foi publicada à posteriori (ver link acima).


O 13.0 Encontro Nacional de Química Orgânica (13 ENQO) e 6.0 Encontro Nacional de Química Terapêutica (6 ENQT) decorreu entre 15 e 17 de janeiro de 2020 na Universidade de Aveiro. A organização deste encontro científico esteve a cargo das Divisões de Química Or- gânica e de Química Terapêutica da SPQ.

A cerimónia de abertura contou com a presença do professor Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro, do professor Artur Silva, na qualidade de presidente da SPQ, do professor Armando Silvestre, diretor do Departamento de Química da Universidade de Aveiro, e dos professores Augusto Tomé e Matilde Marques, presidentes das Divisões de Química Orgânica e Química Terapêutica, respetivamente.


O interesse e a motivação dos jovens para o estudo e co- nhecimento da Química dependem fortemente da forma como os assuntos lhes são apresentados pelos professo- res. Por isso, a atualização científica dos professores de química, a par da sua atualização em novas estratégias de ensino é, não só importante, como necessária.

Atenta às reais necessidades de formação dos professores de química, a SPQ, enquanto sociedade científica com a missão: ... promover, cultivar e de- senvolver, em Portugal, a investigação, o ensino e a aplicação da Química... (Estatutos, Art.° n.° 2), criou em 2018 um Centro de Formação de Professores que se encontra acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua (CCPFC/DC1177/18).


A European Chemical Society como a conhecemos agora, anteriormente Associação Europeia de Ciências Moleculares e Químicas (EuChemS), teve origem em Praga no dia 3 de julho de 1970 como Federação das Sociedades Europeias de Química (FECS), numa reunião inaugural em que participaram 17 Socie- dades Químicas Europeias.


No dia 11 de fevereiro de 2020, decorreu o 5.0 Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência e a EuChemS participou ativamente na celebração através das suas redes sociais.
O Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciên- cia foi implementado pela UNESCO e pela ONU-Mulheres em 2015. É um dia para celebrar as mulheres nas ciências, promovendo a sua participação plena e igualitária, bem como incentivar raparigas a optar por carreiras em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.


A Medalha de Ouro Europeia em Química de 2020 foi atribuída ao Professor Michele Parrinello por realizações excecionais no campo da química na Europa. O Professor Parrinello será presenteado com a Medalha de Ouro durante o 8.0 Congresso de Química EuChemS em Lisboa, Portugal, entretanto adiado para 2022, onde deverá realizar a palestra plenária de abertura do evento.


A exposição “Plasticidade - Uma História dos Plásticos em Portugal”, recebeu em outubro de 2019, o International Dibner Award for Excellence in Museum Exhibits, galardão que tem por objetivo destacar a qualidade e a excelência de exposições patentes em museus, que apostem na interpretação e difusão da história da tecnologia, indústria e da engenharia. Parâmetros como o design, as narrativas, os objetos apresentados, bem como a pertinência dos assuntos divulgados são aspetos valorizados na atribuição deste prémio atribuído pela Society for the History of Technology (SHOT).


A Comissão Europeia, em conjunto com vários parceiros, lançou no dia 20 de abril de 2020 uma plataforma de dados europeia COVID-19 para permitir a rápida recolha e partilha dos dados de investigação disponíveis. A plataforma, que faz parte do plano de ação ERAvsCorona, representa mais um marco nos esforços envidados pela UE para apoiar os investigadores na Europa e em todo o mundo na luta contra o surto de coronavírus.


Desde o aparecimento da doença respiratória grave causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, o uso de máscaras faciais tornou-se imprescindível em todo o mundo de modo a controlar a rápida disseminação desta pandemia. Como resultado, tem-se verificado uma escassez destas máscaras a nível mundial.


A trajetória atual do surto de 2019-nCoV (COVID-19) causado pelo vírus SARS-CoV-2, tornou necessário o desenvolvimento de medidas de saúde pública para conter a disseminação do vírus e a otimiza- ção dos tratamentos dos doentes infetados. Uma análise da sequência do genoma do SARS-CoV-2, disponível em GenBank (ID: MN908947.3), mostra uma forte homologia com o SARS-CoV. Portanto, os estudos previamente desenvolvidos sobre o SARS-CoV e a Síndrome Respiratória no Oriente Médio (MERS-CoV) podem ser usados diretamente para ajudar a tratar a COVID-19.


A pandemia COVID-19 é causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. Este vírus, para se multiplicar, tem de replicar o seu material genético precisando, para isso, das células de um hospedeiro. O processo de replicação do genoma e transcrição dos genes deste vírus é realizado por uma RNA polimerase dependente de RNA [(RdRp) - RNA-dependent RNA polymerase] do vírus. Esta enzima (polimerase) liga-se ao RNA do vírus e co- pia-o. Os fármacos que interrompam esse processo de replicação podem ser úteis no tratamento da COVID-19, dado que este complexo RdRp é o alvo para os fármacos antivirais análogos a nucleósidos. O conhecimento da estrutura da polimerase de SARS-CoV-2 durante o processo de replicação poderá fornecer informações importantes com vista à otimização de fármacos com esse modo de ação, nomeadamente o remdesivir que está atualmente em estudo. Este fármaco apresenta atividade antiviral contra coronavírus em culturas celulares e animais, inibe coronavírus RdRp e está em ensaios clínicos como um candidato a fármaco para o tratamento da doença COVID-19.


A estrutura molecular da aguarela medieval conhecida como “Folium” foi finalmente resolvida no século XXI.
A abordagem interdisciplinar adotada pelos investigadores portugueses foi a chave para produzir extratos, preparados seguindo as instruções medievais, e mostra que o cromóforo azul/roxo é o corante principal da casca do fruto da Chrozophora tinctoria. 


As reações cruzadas de radical-polar (RPCs) ocorrem normalmente num passo único e em condições suaves usando um catalisador fotorredutor ou não fotorredutor. Como proporcionam um aumento da complexidade molecular e uma boa tolerância de grupos funcionais, são uma excelente ferramenta para a síntese de moléculas alvo, em especial na indústria farmacêutica


O monóxido de carbono (CO) é uma molécula de sinalização molecular natural com elevada toxicidade, sendo esta resultante da elevada afinidade pela hemoglobina, por formação de carbonil-hemoglobina (COHb) que conduz a hipoxia. Contudo, em concentrações sub-micromolares (0,2 μM), o CO possui um elevado potencial terapêutico, especialmente em quimioterapia, atuando sinergicamente com fármacos convencionais (aumenta a sensibilidade das células cancerígenas). Neste sentido as moléculas geradoras de CO (CORMs) e os métodos de libertação controlada de CO são altamente desafiadores para o desenvolvimento de novas terapias.


A fotocatálise, em especial a catálise fotorredutora usando metais de transição, permite a realização de transformações químicas que não são facilmente acessíveis através da catálise redox convencional. A fluo- ração nucleofílica catalisada por paládio está bastante desenvolvida, contudo a presença de grupos funcionais contendo protões lábeis e outros grupos que possam interferir no acoplamento cruzado (ex. halogenetos) são ainda um desafio neste tipo de metodologia; além disso, materiais de partida, tais como halogenetos de arilo, para uso em funcionalizações seletivas numa fase avançada da síntese geralmente não estão acessíveis.


Tanto a Cinética Química como a Dinâmica Epidemiológica descrevem e interpretam a evolução de populações, tendo, por essa razão, muitos aspetos em comum. Neste artigo, estabelece-se o paralelo entre o modelo epidemiológico SIR de Kermack-McKendrick e a autocatálise com inibição. A autocatálise sem inibição, que possui solução analítica (a curva logística), já por si relevante em dinâmica populacional, é uma boa forma de introduzir o problema. Após estabelecer a ligação entre Cinética Química e Dinâmica Epidemiológica, apresenta-se e discute-se em pormenor o modelo SIR, que é aplicado a um caso real de epidemia viral, dado como exemplo em livros de texto, e que é usado para construir vários cenários idealizados com relevância atual. Conclui-se o artigo com a aplicação de alguns resultados do modelo à pandemia de COVID-19, usando dados de Portugal, Itália e EUA.


A composição química dos sabões e do envelope do vírus SARS-CoV-2 são apresentados. As características anfifílicas dos componentes dos detergentes e dos lípidos do envelope
viral são responsáveis pelo estabelecimento de fortes interações intermoleculares detergente-lípido que permitem a destruição do envelope viral levando à inativação do vírus. As concentrações de sabão/álcool necessárias para assegurar a molhabilidade da epiderme, por forma a permitir a completa remoção e inativação do SARS-CoV-2, são apresentadas. As interações intermoleculares entre moléculas anfifílicas permitem explicar a importância e eficácia de uma higiene regular das mãos e superfícies no combate à pandemia de COVID-19.


Os plásticos, considerados um símbolo do progresso tecnológico e do crescimento da indústria, desde cedo se tornaram produtos de grande consumo, proporcionando-nos um estilo de vida mais confortável e seguro. Os plásticos estão por toda a parte e, embora ofereçam grandes vantagens, são também ambientalmente persistentes, o que tem levantado alguns problemas.

A maioria dos plásticos usados atualmente não é biodegradável, um problema que é agravado pelo facto de alguns plásticos não serem reciclados, sendo em vez disso encaminhados para aterros sanitários ou simplesmente descartados no meio ambiente. Com o surto da COVID-19, os plásticos de utilização única que, nos últimos anos, têm estado na mira das preocupações ambientais, estão agora na linha de frente da luta contra essa pandemia para impedir a propagação do vírus SARS-CoV-2. Este ensaio dá visibilidade aos plásticos que re(assumem) a sua funcionalidade numa contribuição muito significativa para a contenção deste vírus.


Este artigo apresenta, de uma forma resumida, o uso de micro-ondas em síntese química. Enumera as vantagens face ao aquecimento convencional apresentando alguns exemplos práticos. O uso desta abordagem na preparação de Redes Metalo-Orgânicas (ou MOFs do Inglês) é apresentado em maior detalhe, mostrando as vantagens deste método não só na síntese de MOFs como também o seu grande potencial na modificação e processamento destes compostos em materiais.


As cascas de frutos secos são uma fonte natural, barata e abundante de biossorventes para a remoção de elementos potencialmente tóxicos em águas residuais contaminadas. Estes materiais contêm diversos grupos funcionais disponíveis para a biossorção de iões de carga positiva. Este trabalho apresenta uma revisão bibliográfica de alguns estudos relevantes mais recentes sobre a aplicação de cascas de frutos secos como biossorventes, incluindo detalhes sobre os parâmetros experimentais. Os parâmetros com maior influência na biossorção são: a matriz da água contaminada, o pH da solução, a concentração inicial dos elementos potencialmente tóxicos, a temperatura a que ocorre o processo de biossorção, a quantidade de biossorvente, o seu tratamento prévio, e o tamanho das partículas dos materiais usados na biossorção.


Stephanie Kwolek foi uma química norte-americana que, a trabalhar nos laboratórios de investigação da DuPont, descobriu um polímero sintético, uma aramida, mais fortee mais leve do que o aço e à prova de bala - o Kevlar. “Salvo pelo Kevlar”, tem sido um milagre para milhares de vidas. Filha de pais emigrantes polacos, Kwolek nasceu em New Kensington (Pensilvânia) e graduou-se pelo Carnegie Institute of Technology. Na DuPont, muito contribuiu também para o desenvolvimento de processos de polimerização a baixa temperatura. O seu artigo “The Nylon Rope Trick” é ainda hoje peça fundamental na experiência em sala de aula. A história de Kwolek - a sua infância, as suas conquistas, os seus trabalhos - é a história da vida de uma mulher inteiramente dedicada à química.


As bebidas refrigerantes ou refrigerantes são um dos produtos alimentares que mais contribuem para a ingestão de açúcar pela população portuguesa, assumindo a primeira posição nos adolescentes. Perante um consumo tão excessivo, é fundamental aumentar a consciencialização da sociedade, em geral, e dos jovens, em particular, para este tipo de consumo e para os seus potenciais riscos! Neste artigo é apresentado um trabalho prático laboratorial que visa o doseamento do açúcar em bebidas refrigerantes. Os principais objetivos são promover a aprendizagem de conceitos e competências relativos à medição de massas e volumes, enquanto operações basilares em Química Laboratorial, e o traçado de gráficos e de curvas de ajuste aos resultados experimentais. O trabalho apresentado contribui ainda para integrar o ensino da Química no âmbito do paradigma da Química Verde e para promover a reflexão e ação no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, propostos na Agenda 2030 da ONU, envolvendo os estudantes e promovendo uma cidadania global ativa, e uma maior consciencialização do papel de cada um na construção de um mundo mais seguro, mais saudável e mais sustentável.


Os alunos em geral demonstram dificuldades na aprendizagem dos tópicos de química orgânica, sendo esta uma disciplina com elevado insucesso escolar no caso do ensino superior. O uso de métodos de aprendizagem ativa poderá ser uma estratégia para motivar os alunos para o seu estudo/aprendizagem. Inclui-se neste âmbito a utilização de jogos educativos, nomeadamente as aplicações de jogos que têm a química orgânica como temática. Este artigo tem como objetivo fazer uma sistematização, não exaustiva, de aplicações de jogos que podem ser muito úteis no ensino da química orgânica em sala de aula, ou fora dela, quer no ensino secundário quer no ensino superior.


As nossas rotinas diárias mudaram bastante nos últimos tempos. A atividade proposta nesta edição pretende ilustrar a eficácia da lavagem das mãos com sabonete líquido. A limpeza das mãos exclusivamente com água não é eficaz. A presente atividade, literalmente hands on, demonstra a importância do uso de uma substância como o sabonete para uma boa higienização das mãos. A atividade deverá ser efetuada por um par de voluntários experimentalistas.


- ANALÍTICA 2020
- 7th Portuguese Young Chemists Meeting


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