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Série II / Número 148 / Volume 42
Março 2018
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A metátese de olefinas é já uma reação “clássica“ em síntese orgânica. Embora tenha sido descoberta nos anos 1950, foi a atribuição do Prémio Nobel da Química de 2005 a Yves Chauvin, Robert Grubbs e Richard Schrock pelo “desenvolvimento do método de metátese em síntese orgânica” que veio dar visibilidade a esta reação. Atualmente é usada na indústria química na síntese de compostos com estruturas muito diversas, desde produtos naturais, medicamentos, fibras sintéticas ou combustíveis.

Olefina é uma antiga designação, muito usada na indústria, para compostos com ligações duplas carbono–carbono (alcenos) e metátese significa transposição (mudar de um lugar para outro). Numa reação de metátese de olefinas ocorre a clivagem de ligações duplas C–C e a formação de novas ligações duplas C–C, mas agora os alcenos formados têm os grupos “CR1R2” trocados. Esta reação, que é catalisada por complexos de metais de transição, tipicamente de ruténio ou molibdénio, é absolutamente invulgar e o mecanismo pela qual ela ocorre não é nada óbvio. Aliás, foram sendo apresentados mecanismos para esta reação mas, em geral, aquilo que era previsto por esses mecanismos não correspondia ao que era obtido experimentalmente. O mecanismo atualmente considerado como o mais provável foi proposto por Chauvin em 1971 e envolve a formação de complexos reativos metal–carbeno (M=CR1R2). Aquando da divulgação do Prémio Nobel da Química de 2005, a Academia Real das Ciências da Suécia divulgou um cartoon que ilustra a metátese de olefinas como um baile onde, a meio da dança, os pares (os alcenos) trocam de parceiros (os grupos “CR1R2”). Essa troca é promovida por um bailarino muito (re)ativo (o catalisador) que, no meio do salão, colide com os outros pares e forma novos pares. Na capa deste número do QUÍMICA recria-se esse cartoon. O contributo de Robert Grubbs para o desenvolvimento da metátese de olefinas é magistralmente descrito no artigo “Onomástica organometálica. 4. Robert H. Grubbs: o cientista empreendedor” (página 13).

Neste número salientam-se também dois artigos sobre a história da Química na Universidade de Coimbra e um sobre a relação entre os princípios da Química Verde e a segurança laboratorial, com especial atenção à sua implementação em trabalhos práticos nos ensinos secundário e superior.


- Reunião anual da Division of Food Chemistry - EuCheMS
- 10.º Encontro Nacional de Cromatografia
- 12.º Encontro Nacional de Química Orgânica (12ENQO) e 5.º Encontro Nacional de Química Terapêutica (5ENQT)
- Batteries & Supercaps


José Simões Redinha é licenciado em Ciências Físico-Químicas pela Universidade de Coimbra (1951) e doutorado em Química, especialidade Química-Física, pela Universidade de Londres (1958).


Para muitos dos jovens químicos que encaravam uma carreira académica na ciência no final da década de 1960, a Química Organometálica surgia como a opção mais aventureira. De facto, o número de novas moléculas, estruturas e reações sem paralelo nas clássicas químicas orgânica e inorgânica que tinham aprendido, prometiam carreiras criativas e gratificantes. Para Robert Grubbs, a reação de metátese de olefinas constituiu um desafio suficientemente valioso para sobre ele construir a sua carreira científica. De facto, a permuta de unidades CR2 entre olefinas (alcenos) era uma reação sem precedentes que lidava com a quebra e formação de ligações duplas C=C. Mais ainda, produzia novos tipos de polímeros e os polímeros eram um tema muito valorizado para quem, como Grubbs, tinha um fraquinho para investigação orientada, se não mesmo aplicada. Adicionalmente, este processo era catalisado por espécies totalmente obscuras formadas na reação de sais de metais de transição do lado esquerdo da tabela periódica, em altos estados de oxidação, com alquilos de alumínio. Fazendo da metátese de olefinas o fio condutor da sua vida científica, Grubbs obteve uma extraordinária sequência de resultados que lhe valeram o Prémio Nobel em 2005. Em primeiro lugar estabeleceu o mecanismo da reação. Seguidamente usou a metátese para revolucionar a ciência dos polímeros e para criar protocolos para a síntese de polímeros “por medida”. Atravessou a última fronteira quando descobriu catalisadores de estrutura bem definida capazes de metatizar praticamente qualquer ligação C=C, independentemente da sua funcionalização, e em condições amigáveis, ao ar e em solução aquosa. Aqui chegou ao ponto em que pôde finalmente transpor a sua ciência para uma das primeiras empresas industriais de química sustentável. É difícil encontrar uma carreira mais determinada, consistente e impactante.


Os dicetopirrolopirróis são uma classe de pigmentos orgânicos, tipicamente de cor vermelho brilhante, que apresentam excecional estabilidade fotoquímica, térmica e ambiental. Os seus derivados N-substituídos são altamente fluorescentes. Estes compostos têm aplicação, ou potencial aplicação, em áreas muito diversificadas, nomeadamente como pigmentos para tintas, na cosmética, em aplicações fotovoltaicas, como sondas fluorescentes, ou como fotossensibilizadores em terapia fotodinâmica de vários tipos de cancro.


O autoindutor-2 (AI-2) é uma pequena molécula sinalizadora, que se encontra em equilíbrio entre várias formas, responsável pela comunicação entre muitas espécies bacterianas. Têm sido desenvolvidas várias estratégias para a síntese do AI-2, com o objetivo de o obter com elevada pureza e em grandes quantidades. O desenvolvimento da síntese de análogos do DPD (forma linear do AI-2) é relevante para o objetivo de encontrar agonistas e antagonistas que permitam controlar o comportamento de populações microbianas e que possam encontrar aplicação nos campos da saúde, indústria e agricultura. Contudo, como o AI-2 é uma molécula muito funcionalizada, reativa e oticamente ativa, o desenvolvimento de um processo de síntese reprodutível é um desafio. Aqui iremos rever os processos de síntese desenvolvidos para o AI-2 e respetivos análogos até ao momento presente.


A normalidade das funções de diretor do Laboratório Químico é reposta em 1865. Neste ano, Miguel Leite Ferreira Leão é designado diretor, posição que ocupará até 1877. Devido à sua ação persistente, continuada pelos diretores Manuel Paulino de Oliveira, 1877–1888, Francisco José de Sousa Gomes, na 1.ª diretoria, 1888–1890, e na 2.ª de 1898 a 1911, e Francisco Augusto Correia Barata, 1890–1898, operam-se profundas alterações na topologia do interior do edifício, acompanhadas de um persistente conjunto de esforços no sentido de melhorar o ensino prático de química. Em 1911, após a implantação da República, é criada a Faculdade de Ciências na Universidade de Coimbra. O diretor do Laboratório Álvaro Basto, 1911–1922, no sentido de aproximar o panorama nacional do europeu, apresenta propostas de reorganização da Faculdade e de novos regulamentos, recentrando-se no ensino da Química.


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Apresenta-se uma análise da utilidade dos Doze Princípios (Anastas e Warner) e dos Segundos Doze Princípios (Winterton) da Química Verde (QV) para suportar o ensino da segurança laboratorial (SL). Começa-se por uma avaliação dos conteúdos dos princípios de ambos os conjuntos que são relevantes para a SL, do seu alcance e modos de aplicação, seguindo-se uma breve discussão de linhas de ação adequadas para o seu uso no ensino. A investigação sugere que os Doze Princípios, sendo prescrições genéricas, simples e intuitivas, podem suportar o ensino da SL nos primeiros anos dos cursos universitários e nas escolas secundárias, enquanto o uso dos Segundos Doze Princípios é mais problemático, parecendo mais adequado para os anos avançados do ensino superior, por estes visarem aspetos mais concretos da implementação da química e serem mais sensíveis às particularidades de cada situação. Em ambas as situações, podem-se obter sinergias no ensino integrado da SL e QV. O visionamento dos resultados globais da análise mostrou algumas das limitações dos Doze Princípios, cuja discussão pode ser integrada nas atividades do ensino. As enormes complexidades da química, QV, perigos químicos, etc. e as suas implicações no ensino da SL são objeto de uma breve revisão, apontando a necessidade de adotar uma atitude sistémica, em vez da reducionista vigente no ensino da química, para operacionalizar a reformatação do ensino e prática da segurança química.


- 6PYCheM — 6th Portuguese Young Chemists Meeting
- 29th International Carbohydrate Symposium - ICS 2018
- 41.ª Reunião Ibérica de Adsorção / 3.º Simpósio Ibero-Americano de Adsorção


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