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Série II / Número 146 / Volume 41
Setembro 2017
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O uso de solventes orgânicos em processos de síntese, extração ou purificação de compostos orgânicos é uma prática corrente e, em muitos casos, inevitável. Apesar de ocasionalmente surgirem publicações sobre as vantagens da substituição destes solventes por água, ou mesmo a execução de sínteses na ausência de qualquer solvente, a verdade é que não é fácil fazer química sem solventes orgânicos. Nos casos em que não é possível evitar a sua utilização, deve-se usar preferencialmente solventes “verdes”, isto é, menos tóxicos e perigosos para os humanos e o meio ambiente.

O uso de solventes orgânicos está inevitavelmente associado a um conjunto de perigos físicos (incêndio, explosão, etc.), perigos para a saúde humana (intoxicação, corrosão de tecidos, etc.) e perigos para o ambiente que é necessário ter em consideração na hora de selecionar o solvente mais adequado para um determinado processo. Ou seja, é importante ponderar a perigosidade de solventes alternativos e optar pelo mais “verde”. A “verdura” dos solventes é um conceito que tem vindo a ganhar importância quer no contexto industrial quer no âmbito da investigação ou do ensino da química a nível universitário. No entanto, no artigo “Pedagogia da segurança laboratorial – solventes no ensino secundário”, publicado neste número do QUÍMICA, este assunto é discutido a nível do ensino secundário, sendo analisada a perigosidade dos solventes propostos para a realização de experiências laboratoriais. Usando as palavras dos autores, “este artigo tem como objetivo último incentivar a subs­tituição ou eliminação de solventes que envolvam perigos elevados no ensino da química, no quadro do desenvolvi­mento de uma nova pedagogia da segurança baseada na Química Verde.”

Na química laboratorial as questões de segurança são essenciais e devem ser apresentadas e discutidas com os estudantes o mais cedo possível. Introduzir o conceito da “verdura” dos solventes ao nível do ensino secundário é certamente um passo na direção certa. A escolha deste assunto para tema de capa do QUÍMICA representa um claro apoio a iniciativas que visem uma maior segurança das atividades experimentais que envolvam solventes (ou reagentes) potencialmente perigosos.


- Reunião anual da EuCheMS DivCEd - Division of Chemistry Education
- 12.ª Assembleia de Delegados EYCN - 2017
- Participação e sucesso de Portugal na EUSO 2017
- Semifinal Regional das Olimpíadas de Química Júnior 2017 - UCoimbra


 A Química tem desempenhado um papel central nas sociedades atuais suprindo muitas das necessidades de consumo com uma capacidade quase ilimitada de gerar sinteticamente novas moléculas.


Maria Paula Robalo é Professora Coordenadora no ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa) e investigadora no Centro de Química Estrutural, Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa. Licenciou-se em Química na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em 1986 tendo aí também obtido o Doutoramento em Química/Química Inorgânica em 1993 sob a orientação da Professora Maria Helena Garcia.

 


Oseltamivir é um pro-fármaco comercializado sobre o nome Tamiflu e usado no tratamento da Influenza A e B. O vírus tem sido responsável por várias pandemias ao longo da história, constituindo ainda uma preocupação durante o inverno. Este trabalho descreve o percurso da descoberta do oseltamivir, começando na análise do seu alvo até à sua comercialização, apresentando alguns resultados dos testes farmacodinâmicos e farmacocinéticos assim como o trabalho desenvolvido para a preparação do fármaco em grande escala. Assim, pretende-se dar a conhecer o desenvolvimento de um fármaco, sob o ponto de vista da química medicinal, utilizando como exemplo um dos medicamentos mais utilizados no mercado para o tratamento da infeção causada pelo vírus Influenza.


Os compostos orgânicos e/ou complexos inorgânicos exógenos que possuem atividade biológica, seja esta benéfica (fármacos) ou não (venenos, toxinas) são, geralmente, distribuídos pelo organismo através da circulação sanguínea. Como muitos destes compostos têm uma solubilidade reduzida em fase aquosa, a sua interação com proteínas transportadoras existentes no plasma sanguíneo é fundamental. Entre estas proteínas, destacam-se as albuminas do soro sanguíneo, também designadas por albuminas séricas. Os estudos de interação entre as albuminas séricas e moléculas biologicamente ativas têm vindo a aumentar, contudo, infelizmente, Portugal e Brasil ainda não estão entre os países que mais produzem artigos científicos sobre este assunto. Este artigo de revisão tem como objetivo apresentar as principais técnicas experimentais e computacionais para este tipo de estudos, na expectativa de atrair o interesse de grupos de investigação destes dois países. Apresenta-se também uma breve descrição das principais atividades biológicas dos compostos naturais citados neste trabalho


Tal como em vários outros aspetos, a Segunda Guerra Mundial também foi um ponto de viragem para a Química Inorgânica. O esforço científico posto na investigação nuclear nesse período incluiu um homem cuja determinação e capacidades estavam muito acima dos padrões académicos normais. Geoffrey Wilkinson, um aluno brilhante da escola duma pequena aldeia do Yorkshire, fez deste trabalho de taxonomia nuclear um campo para a descoberta e sistematização da química duma grande variedade de elementos muito pouco estudados. Habituado a interpretar factos nunca antes observados, rapidamente percebeu a natureza do novo tipo de ligação química do ferroceno e rapidamente iniciou a criação daquilo que hoje conhecemos como química organometálica. Nesta caminhada, como um dos mais jovens professores alguma vez nomeados para o Imperial College de Londres, descobriu um catalisador de hidrogenação altamente ativo e seletivo que tem o seu nome: RhCl(PPh3)3. Este catalisador foi um grande motivador do desenvolvimento da química organometálica e da catálise, mas nunca desviou Wilkinson do seu percurso de investigação fundamental. Para além do seu prémio Nobel pela descoberta da estrutura do ferroceno, o seu trabalho abriu diretamente os portões para áreas nas quais nunca trabalhou mas que mais tarde valeram prémios Nobel, como a hidrogenação assimétrica e a metátese de olefinas.


Egas Pinto Basto, como Diretor do Laboratório Químico (1926–1937), cria as condições indispensáveis para a modernização do ensino da Química na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e o desenvolvimento da investigação científica no Laboratório Químico. Ação iniciadora que deu ao Laboratório Químico um lugar de prestígio dentro da sua Faculdade e no seio da comunidade química nacional.


No âmbito das comemorações dos 40 anos da Química da Universidade Nova de Lisboa foi levado a cabo um estudo sobre a atividade profissional e formação dos licenciados em Química Aplicada, a primeira licenciatura na área da Química criada por esta universidade e com características inovadoras na época em que foi criada: os perfis em Química Orgânica e Biotecnologia e o forte pendor experimental. Verificou-se que as atividades desenvolvidas por estes químicos são extremamente variadas e que as oportunidades profissionais se alteraram muito desde os primeiros licenciados em que o sistema de ensino secundário e superior se encontravam em forte expansão e a atualidade em que a licenciatura, após o acordo de Bolonha, passou a ter uma duração de 3 anos.


Apresenta-se uma análise da segurança dos solventes propostos nas experiências prescritas pelos programas de química do Ensino Secundário, realizada por dois processos: utilização de guias de segurança de solventes publicados por empresas farmacêuticas e uma ferramenta de apresentação gráfica dos perigos das substâncias químicas cuja conceção original se descreve. Esta última, chamada ferramenta SHE, usa as fichas de dados de segurança de produtos químicos (SDS) para recolher informação sobres os seus perigos de segurança física (Safety), para a saúde humana (Human Health) e para o ambiente (Environment), que apresenta em forma gráfica de apreensão visual fácil e imediata. A comparação dos resultados dos dois tipos de análise mostra discrepâncias, esperadas em face das dificuldades de avaliação da segurança química, consequência das complexidades da química e dos próprios perigos das substâncias. O estudo revelou que o programa e manuais escolares prescrevem solventes de que uma parte substancial são perigosos ou muito perigosos, aconselhando-se a sua substituição. Apontam-se outras limitações dos programas quanto a segurança laboratorial e necessidade de reformatar o ensino desta para promover uma verdadeira cultura de segurança.


A atividade proposta nesta edição é das mais simples e rápidas. Esta experiência ilustra fenómenos de capilaridade de uma forma muito eloquente - com as cores do arco-íris! Ideal para crianças mais pequenas.


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